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CHEGOU A HORA DE MUDAR O NOSSO FUTEBOL

Perder revelações e destaques do time no meio da temporada, estar ao contrário de quem rege o mundo do futebol nos dias de hoje. Esse é o cotidiano do ultrapassado futebol brasileiro que, a cada ano mais, apequena-se diante do europeu e começa a ficar atrás até de outros centros, como o mexicano, que consegue atrair jogadores do Velho Continente à sua liga com bem mais facilidade. É forte dizer isso, mas a pandemia pode ter sido a melhor oportunidade nos últimos tempos para o futebol brasileiro reinventar a sua estrutura. E não falo apenas do nosso calendário ser igual ao europeu, mas dos nossos campeonatos necessitarem de uma fórmula que abranja mais times.

Em 2020, a Copa do Brasil está sendo disputada por 91 equipes, já contando as 11 que entrarão nas oitavas. Somando as quatro divisões nacionais, 128 clubes têm algum tipo de calendário após os Estaduais. Vamos usar a Inglaterra, um país com pouco mais de ¼ da nossa população, como exemplo: a FA Cup abrange mais de 700 times e o sistema de 11 divisões, muitas regionalizadas, comporta quase 1.800 clubes, aproximadamente 14 vezes mais do que o Brasil.

Num cenário ideal, nossos campeonatos e os das grandes ligas deveriam andar juntos, tanto nas datas como na organização. Uma Liga capitaneada pelos clubes, que proporcione um esquema de Copa para, no mínimo, 500 times e algo em torno de dez divisões, capazes de colocar na ativa cerca de 800 clubes brasileiros durante o ano inteiro. Os campeonatos estaduais devem servir como qualificação à última série nacional, manutenção das rivalidades regionais e celeiro para novos jogadores terem a sua porta de entrada no mundo futebolístico.

Sede da Confederação Brasileira de Futebol no Rio de Janeiro. Foto: Arquivo/Agência Brasil.

A CBF deveria focar na gestão de todas as nossas seleções, no fortalecimento do futebol feminino no país, nas divisões de base, fazendo um calendário do sub-20 em diante - que esteja em comunhão com um esquema de divisões realmente democrático. Os atletas sub-23 ganhariam oportunidades além do desinteressante Brasileiro de Aspirantes, imaginando um cenário com cerca de 700, 800 times tendo calendários extensos. A roda do futebol brasileiro precisa voltar a girar para todos e não apenas a um seleto grupo.

R.F.

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